
Todas as quintas-feiras, o Avaí Futebol Clube publica em seu site oficial e nas redes sociais oficiais uma matéria lembrando um ex-atleta ou um fato que marcou a história centenária do clube. Vamos trazer craques do passado e do presente, relembrando aqueles que nos deram muitas alegrias vestindo as cores azul e branco.
Já tratamos aqui da história de Rogério Ávila AQUI, do craque CAVALLAZZI, o Garoto de Ouro AQUI e Flávio Roberto, campeão de 1988, AQUI.
Na quarta edição, vamos recordar JUTI, o artilheiro Campeão Catarinense de 1975.
Juarez dos Santos, ou simplesmente Juti, nasceu em 10 de fevereiro de 1952, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Hoje, aos 74 anos, é aposentado e vive em sua cidade natal.
Juti iniciou sua carreira no Novo Hamburgo-RS, em 1969. Chegou ao Avaí Futebol Clube em março de 1974, aos 22 anos, depois que foi visto pelo então técnico Jorge Ferreira em uma partida pelo Juventus de Rio do Sul. Atuou como centroavante, tendo marcado 38 gols, em 79 partidas com a camisa do Leão da Ilha, segundo dados do pesquisador Spyros Apóstolo Diamantaras. Também atuou por Aimoré-RS, Ceará-CE, Figueirense-SC, Toluca-México, Joaçaba-SC, Juventus-SP, Guarapuava-SP e Caxias-RS. Teve uma segunda passagem pelo Avaí, em 1979.
Juti é até hoje lembrado como um dos grandes artilheiros do clube na década de 1970. Com 28 gols, foi o grande responsável pela conquista do Campeonato Catarinense de 1975. Com essa marca, é o maior artilheiro do Avaí em campeonatos estaduais, seguido por Vandinho, que, em 2008, marcou 21 gols no estadual daquele ano.
Em seu primeiro ano de Avaí, Juti foi contratado por Cr$ 5 mil em luvas, mais 2,5 mensais. No ano seguinte, renovou seu contrato, sendo destaque da conquista do título de 1975.

Em pé, da esquerda para a direita: Nelsinho, Deide, Roberto, Carioca, Maneca e Zé Carlos.
Agachados: Lourival Boca de Mina, Katinha, Juti, Arlindo e Nilsinho. O técnico do Avaí era Acácio Souza
O Avaí conquistou o título de Campeão Catarinense de 1975 em uma disputa de melhor de três, diante do maior rival, o Figueirense, na casa deles. No primeiro jogo, derrota por 3 a 2. No segundo, vitória de 3 a 0 com gols de Juti duas vezes e Vado. Na decisão, Juti fez o gol da vitória aos 27 do segundo tempo.
Durante a competição, incluindo a fase inicial, Juti disputou 38 das 41 partidas do Avaí, marcando dez gols a mais do que o vice-artilheiro. Dos 12 clubes que disputaram a competição, Juti só não marcou contra o Próspera. Os 28 gols do artilheiro de 1975 foram assim divididos: Figueirense (4), Chapecoense (4), Internacional (4), Carlos Renaux (3), América (3), Guarani (2), Palmeiras (2), Juventus (2), Marcílio Dias (2), Caxias (1) e Hercílio Luz (1).
Em campo, Juti foi apelidado pelo saudoso narrador esportivo Miguel Livramento como “Capacete”, devido ao seu penteado.

Em pé: Freitas (massagista), Jaíco, Orivaldo, Veneza, Maneca, Lourival e Danilo
Agachados: Ademir, Balduino, Juti, Zenon e João Carlos
Com o seu talento dentro de campo e sintonia com Zenon, a dupla foi contratada pelo Guarani-SP, onde fizeram grandes partidas.
Artilheiros na década de 70*
1972 – Marcos Cavalo (América de Joinville) 20 gols
1973 – Toninho (Avaí) 18 gols
1974 – Marcos Cavalo (Figueirense) – 13 gols
1975 – Juti (Avaí) 28 gols
1976 – Fontan e Tonho (Joinville) 14 gols cada
1977 – Ademir (Comerciário) – 27 gols
1978 – Ademir (Criciúma) – 19 gols
1979 – Jorge (Chapecoense) 23 gols
1980 – Nunes (Rio do Sul) 25 gols
* Datos do jornalista Polidoro Júnior
Após pendurar as chuteiras, Juti dedicou parte do seu tempo para ensinar futebol para crianças de oito a 16 anos, na escolinha de futebol Primavera, em Campo Bom-RS. Também foi Secretário de Esportes da prefeitura de Novo Hamburgo-RS.
No dia 17 de agosto de 2013, Juti visitou a Ressacada para relembrar o título de 1975, sendo homenageado pelo clube. Na ocasião, grande parte do elenco campeão esteve na Ressacada e foi homenageada.
Fizeram parte do time de 1975 que recebeu homenagem: Danilo, Souza, Maneca, Veneza, Orivaldo, Lourival, Balduíno, Juti, Zenon, Carlos, João Carlos, Rubens, Ari Prudente, Ricardo, Rogério, Jaíco, Beto, Sabará, Ademir, Vado, Paulo Roberto e Emílson. O técnico era Áureo Malinverni, o supervisor Rômulo Coelho e o presidente do clube, João Salum. O preparador físico era Dacica e o massagista foi Machado.

Foto: Guilherme Lopes / Avaí F.C.

outros ex-presidentes e diretores do Avaí
Foto: Guilherme Lopes / Avaí F.C.

Foto: Guilherme Lopes / Avaí F.C.
Em 25 de agosto de 2016, Juti visitou a Ressacada mais uma vez! Na oportunidade, ele destacou: “É sempre uma alegria muito grande voltar onde fizemos e temos muitos amigos. Foi aqui no Avaí que passei bons momentos da minha vida”, disse!
Em 2018 teve a perna direita amputada após uma infecção bacteriana. Na ocasião, o Avaí o ajudou com a doação de uma prótese e com a divulgação de uma campanha de arrecadação de fundos organizada por torcedores.
Em 2021, o Grupo Avaí Eterna Paixão visitou Juti em Novo Hamburgo-RS, prestando homenagem e auxílio ao ex-jogador. Na ocasião, foram doados vários móveis e eletrodomésticos, adquiridos com doações realizadas por torcedores da Nação Avaiana e empresas parceiras.
“Eu só tenho que agradecer ao Avaí por tudo que ele fez por mim. Eu não tenho nem palavras. Só destacar a ajuda que recebi do Clube e do Grupo Eterna Paixão. Fico até emocionado. Sou muito grato por tudo que fizeram por mim”, disse Juti.



Foto: Acervo / Grupo Eterna Paixão
Referências:
– CARDOSO, Marcelo H. Anuário do Campeonato Catarinense de 1975. Florianópolis: Memória Avaiana, 2015.
– KLÜSER, Adalberto; MATOS, Felipe. & DIAMANTARAS, Spyros. O Time da Raça – Almanaque de 90 anos do Avaí Futebol Clube, 1923-2013. Florianópolis: Infinita Leitura, 2014.
– Site Memória Avaiana.
– Site Avaí Futebol Clube.
– Site Polidoro Júnior.