Homenagem a Jacinto Machado

Postado por: André Palma Ribeiro

O Avaí homenageia no próximo sábado, dia 27, diante da Chapecoense, o município de Jacinto Machado que fica na região Sul do Estado de Santa Catarina. A cidade, que completa 55 anos no dia 23 de agosto, estará estampada na camisa dos goleiros avaianos.

De 8 a 11 de agosto, o município sedia a “Banarroz”, festividade local que exalta a produção de arroz e banana, produtos que são a base da economia de Jacinto Machado. Nesta quinta-feira, dia 25, a corte da festa esteve visitando o estádio da Ressacada.

Foto: Guilherme Sauthier

 

A história de Jacinto Machado

A região onde hoje está situado o município de Jacinto Machado fazia parte, antes do início da colonização luso-brasileira e européia, do território dos índios Xokleng. Estes habitavam todo o território coberto por Mata Atlântica situado entre o litoral e o planalto, desde o sul do Paraná até depois da divisa com o Rio Grande do Sul. Também ocupavam partes do Planalto, na região dos pinhais.

Por serem nômades, durante os meses de primavera e verão, se deslocavam nas áreas mais baixas, cobertas de Mata Atlântica, onde as frutas estavam maduras e os animais eram encontrados com maior facilidade. Ali caçavam antas, veados, porcos do mato, macacos e diversas espécies de aves. Durante os meses de outono e inverno, subiam para o Planalto, onde começavam a frutificar os pinheiros, que eram muito importantes para a sua alimentação, além de atraírem animais como porcos do mato, pacas, cutias, macacos e aves, que também eram caçados.

Para a caça e para a defesa, usavam arcos, flechas com pontas de madeira ou de ferro, tacapes de madeira e lanças com pontas de ferro. É possível que antes do contato com o branco, usassem pontas lascadas em pedra. Porém, a partir do contato, começaram a usar, para fazer estes objetos, ferro conseguido nos ataques que faziam aos europeus que começavam a ocupar seu território.

Usavam ainda diversos tipos de cestos, feitos de lâminas de taquara, para carregar pinhão, transportar objetos e para servir a comida. Também tinham cestos impermeabilizados com cera de abelha para carregar água e mel.

Seus abrigos eram simples, em meia-água, construídos para passar pouco tempo em um mesmo local. Construíam abrigos maiores, em forma de cabana, apenas durante determinadas festas, quando ficavam mais tempo em um mesmo acampamento.

É a partir do século XIX que os Xokleng começaram a entrar em contato com as frentes de colonização européia, que em nossa região instalaram-se em Urussanga. Este contato, que no início parecia ser pacífico, terminou por se tornar violento, com os Xokleng atacando os colonos e estes, organizando ataques que acabavam com aldeias inteiras. É nesta época que aparecem os bugreiros, matadores profissionais de índios, que recebiam pagamento dos colonos ou do governo do Estado para exterminar as aldeias existentes na região em que estavam instaladas as colônias. Devido a esta perseguição implacável, os Xokleng acabaram por ser todos mortos.

No extremo sul de Santa Catarina, a colonização luso-brasileira iniciou a partir da fundação de Laguna, em 1712 por pessoas vindas da vila de São Vicente, acompanhados por escravos índios e negros.

Até a segunda metade do século XVIII, pouquíssimos posseiros viviam na região situada ao sul de Laguna. Estes poucos moradores eram provavelmente famílias que viviam isoladas, próximas ao litoral, sobrevivendo da caça, da pesca e de pequenas plantações de mandioca e milho.

A partir de 1750 esta situação, muito lentamente, começa a mudar, com a chegada de imigrantes originários das ilhas dos Açores e Madeira, trazidos pela coroa portuguesa para colonizarem as áreas desocupadas existentes ao sul de São Francisco do Sul. Com o aumento de população, as vilas de São Francisco do Sul, Desterro e Laguna se desenvolveram, surgindo ainda núcleos de povoamento no sul que, a partir de Laguna, darão origem aos atuais municípios de Imaruí, Imbituba, Tubarão, Jaguaruna e Araranguá. Os açorianos foram os responsáveis pela introdução dos engenhos de farinha de mandioca, cuja produção passou a ser exportada para as outras províncias brasileiras.

Porém, devido ao abandono em que foram deixadas pela Coroa Portuguesa, muitas comunidades de descendentes açorianos não conseguiram se desenvolver economicamente. Estas comunidades também acabariam por assumir uma economia de subsistência baseada na pesca, na caça e na produção familiar de milho e mandioca. Na região do extremo sul catarinense, núcleos de famílias, nesta época, começam a se instalar próximas ao litoral, em locais que hoje fazem parte dos municípios de Araranguá e Sombrio.

Esta situação continuará com poucas mudanças até o final do século XIX, quando, com a chegada de imigrantes europeus, principalmente italianos, alemães e poloneses, novos núcleos de colonização começariam a ser fundados.

Os primeiros imigrantes a se instalar na região sul de Santa Catarina foram italianos, com a fundação de Azambuja, em 1875, e Urussanga, em 1878, seguido pelos núcleos de Criciúma, Cocal, Nova Veneza entre outros. Imigrantes de descendência alemã participaram da fundação de Braço do Norte, São Ludgero, Orleans e Forquilhinha, a partir de onde terminaram por se instalar em Jacinto Machado, já no século XX.

Imigrantes de origem polonesa originalmente formaram núcleos nos municípios de Criciúma, Içara e Morro da Fumaça no final do século XIX, posteriormente, já no século XX, se instalando na região do Extremo Sul Catarinense. Em Jacinto Machado, o principal núcleo de colonização polonesa é localidade de Rio de Dentro.

Em Jacinto Machado, a ocupação por colonos italianos ocorreu em 1921, vindos da região de Criciúma e Urussanga. Até 1943 a pequena vila era conhecida como Volta Grande. A origem desse nome se deve à grande volta que era necessário fazer pra chegar ao local, pois o caminho de acesso margeava o Rio da Pedra até chegar onde é hoje Jacinto Machado.

O Governo do Estado da época não aprovou o nome original para o município que se emanciparia em 1958. Portanto, passou a ser chamado de Jacinto Machado, em homenagem ao brigadeiro que lutou na Guerra do Paraguai, Jacinto Machado de Bitencourt, mesmo contra a vontade da comunidade local. O povo chegou a sugerir o nome de Arizona, mas não teve sucesso contra a imposição do então governo.

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